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Não adianta nada ler esses textos que dizem: ‘não reclame por não ter tempo. Seu dia tem as mesmas 24 horas que tinham Einstein, Leonardo Da Vinci, Alexander Graham Bell’ e uma lista infindável de grandes gênios da humanidade.
Isso para não falar em acompanhar as tendências da moda, saber o que estará sendo usado na próxima estação, ter o sapato certo que combine – ou não – com a bolsa perfeita, que forme um conjunto exato com o vestido novo que só poderá ter como acessório determinado brinco. Ser mulher não é fácil, não. Por isso acho extremamente injusto dizer que temos as mesmas 24 horas. O que sobra das 24 horas quando além de tudo que é necessário para ficar bonita ainda é preciso cuidar das crianças, dos animais de estimação, das plantas, comprar presentes para o parente que faz aniversário, para a amiga que ficou grávida e consolar aquela outra que tomou um fora do namorado? Há que diga que parece um exagero o que as mulheres fazem para se manterem bonitas, mas esse é o mínimo. Tem aquelas que malham diariamente 2 horas por dia, andam de bicicleta, correm, fazem massagem, bronzeamento artificial, lipo, tratamento estético-facial e tantos outros recursos que confirmam a tese de que com dinheiro não há mulher feia. Depilação e tintura são o mínimo para poder continuar convivendo em sociedade. E homem precisa fazer tudo disso? Outro dia li um texto que achei bem mais realista e verdadeiro diante das obrigações que nos são impostas. Mostrava as injustiças entre homens e mulheres diante da mesma situação. Vejam só: homem de cabelo grisalho é charmoso; mulher com cabelo branco parece mais velha. Homem de perna peluda é sexy; mulher peluda é preguiçosa. Homem com pêlos na axila é bonito; mulher eu nem preciso dizer o que é, né? Homem barrigudo é porque curte a vida bebendo cerveja; mulher é gorda. Unha de homem mal cuidada é coisa de macho; mulher é largada e porca... O mais duro nisso tudo é saber que somos nós mesmas, mulheres, que criamos a ditadura da moda, da beleza, da magreza, dos cabelos loiros e lisos, dos saltos altos. Não satisfeitas com tudo isso ainda inventamos uma infinidade de acessórios dourados, prateados, de ouro velho que precisamos combinar com roupa, sapato, bolsa e com o humor do dia. Inventamos também variações sobre pequenos detalhes como os enfeites que criamos para as unhas: fomos das francesinhas, pintadinhas, desenhadinhas até o piercing de unha que impede qualquer movimento brusco e impensado. Nos sapatos, além das cores e estampas, inovamos no salto, indo do agulha para o anabela, passando pelo salto largo, pelo salto médio, pelo salto ultra alto e pelas rasteirinhas sem nenhum salto. Outro dia vi um salto que parecia triangular embaixo. Outro que descia fininho e terminava formando uma prateleira rente ao chão. Como combinar tanta coisa? Com certeza é preciso muito mais do que 24 horas para ser uma mulher bonita, na moda, antenada, prendada e completamente bem cuidada da cabeça aos pés. Realmente, 24 horas é pouco!
Colunista: Viviane Pereira 1 - 06/11/2009 ::: Viviane Pereira - A opção de amar 2 - 23/10/2009 ::: Viviane Pereira - 24 horas é pouco! 3 - 25/08/2009 ::: Viviane Pereira - Depilação: tortura paga 4 - 07/08/2009 ::: Viviane Pereira - Recomeços 5 - 29/06/2009 ::: Viviane Pereira - Homens que dizem não 6 - 18/06/2009 ::: Viviane Pereira - Presente pra mim 7 - 09/05/2009 ::: Viviane Pereira - Esse monstrinho dos ciúmes 8 - 23/03/2009 ::: Viviane Pereira - Equilibrando pratos 9 - 05/03/2009 ::: Viviane Pereira - Milagre do banho de mulher |
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