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CArma de mãe pra filha

“Quanto menos os pais
aceitem seus próprios problemas,
tanto mais os filhos sofrerão
pela vida não vivida
de seus pais e tanto mais
serão forçados a realizar
tudo quanto os pais
reprimiram no inconsciente.”

Foi o sábio Jung (1875-1962), sempre ligado nas sutilezas dos processos psicológicos, quem afirmou isso aí. Em outras palavras, o psiquiatra-pensador suíço quis dizer que os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas.

Lembrei disso ao assistir a comédia romântica Mamãe Quer que Eu Case (Because i said so, EUA 2007, direção Michael Lehmann). A história é sobre uma garota desajeitada (Mandy Moore) que sofre um bocado pela mania da mãe (Diane Keaton) de querer controlar sua vida, principalmente na questão dos relacionamentos amorosos. A mãe, no passado, havia errado em suas escolhas e tinha medo que a filha seguisse pelo mesmo caminho.

Meu lado mulherzinha até que riu com aquelas besteiras que somente o universo feminino, com suas deliciosas neuras, pode proporcionar. O tema da história é bom mas os personagens não me convenceram e o roteiro tem obviedades demais, desses que te fazem sacar o final no começo do filme. E a personagem da mãe exagera nos faniquitos, ficou caricato.

Mas pelo menos o filme me inspirou a falar de Jung, esse notável médico de almas. Essa coisa dos pais não viverem suas vidas verdadeiras e isso influenciar no comportamento dos filhos é algo muitíssimo sério – mas que infelizmente não é levado em consideração nem é discutido como deveria. O que Jung quer mesmo é nos alertar, a nós todos, pra extrema importância que tem a realização pessoal, não apenas pras nossas vidas individuais como também pra vida de todos os que estão próximos a nós.

Em sua compreensão abrangente da vida humana, Jung logo percebeu que estamos todos inapelavelmente ligados uns aos outros, que nossas mentes estão interconectadas através do inconsciente e, por isso, tudo o que fazemos reverbera nos outros, como espelhos que se refletem e a todo instante acusam, em si próprios, os movimentos dos outros espelhos. Se os pais não resolvem seus conflitos internos, estes não apenas afetarão a relação familiar como poderão influenciar negativamente a vida individual de seus filhos. Se os pais vivem falsamente suas vidas, o peso dessa mentira sufocará seus filhos, que poderão se sentir pressionados, sem perceber, a viver o que seus pais não realizaram em vez de seguir seu próprio caminho de autorrealização. Às vezes é possível desfazer essas falsas expectativas mas isso é um processo que requer alto grau de conscientização das partes envolvidas, que inclui o perdoar e também o perdoar-se – e ainda assim se terá perdido um tempo precioso que jamais será recuperado.

Vendo a coisa desse modo, torna-se óbvia a necessidade de vivermos bem nossas vidas, não apenas por interesse próprio mas porque a nossa bem-aventurança, de algum modo, também tocará nossos amigos e familiares. Foram vários os sábios da história que insistiram nessa curiosa verdade: pra mudar o mundo, mude a si mesmo. Jung, falando sobre o processo de individuação, disse o mesmo, que o futuro da humanidade depende da quantidade de pessoas que conseguirem se autorrealizar.

Entretanto, não existe autorrealização sem autoconhecimento. Como realizaremos o nosso potencial sem antes sabermos verdadeiramente quem somos, o que de fato precisamos e queremos, o que realmente nos atrapalha a caminhada? Como nos libertarmos sem saber o que nos aprisiona? É libertando-se que podemos também libertar os outros das nossas expectativas limitantes em relação a eles.

Conhecermo-nos, sem auto-enganações, e vivermos nossa melhor vida – é o que temos de fazer. E um dia nossos filhos e netos nos agradecerão bastante por isso.

Colunista: Ricardo Kelmer
Área: Literatura e Internet
Inserida em: 06/11/2009 14:55




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