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Prof. Dr. Geraldo Papa
S. frugiperda encontra-se amplamente distribuída e difundida nas Américas do Sul e Central, todavia, esta espécie não apresenta o mecanismo de diapausa e, portanto, não é capaz de sobreviver continuamente em regiões de clima temperado. Conseqüentemente, nos Estados Unidos S. frugiperda é uma praga esporádica, que ocorre principalmente na cultura do algodão, e que possui sua distribuição limitada as regiões de temperatura mais elevada. Levantamento divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), referente à produção mundial de milho em 2009, relata que a safra está projetada em 777 milhões de toneladas, 10,8% maior que o volume obtido na safra anterior, quando foram colhidas 701 milhões de toneladas. Os EUA são os maiores produtores, com estimativa de produção de 326,15 milhões de toneladas, representando 42% da produção mundial. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, com previsão de 50 milhões de toneladas, representando aproximadamente 6,4% da produção mundial. No Brasil, em regiões de cerrado, o milho é uma cultura estratégica, com papel importante nos esquemas de rotação de culturas com soja, algodão, girassol e no plantio direto, como planta fornecedora de palhada, sendo cultivada na época normal (verão), “safrinha” e inverno em áreas irrigadas. Atualmente a principal praga, tanto para os pequenos como para os grandes produtores de milho é a Lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, também conhecida como Lagarta-militar. É uma praga cosmopolita, que ataca culturas de importância econômica em vários países. No Brasil além do milho, um dos principais prejudicados, esta praga é encontrada atacando plantas de algodão, arroz, sorgo, pastagens, milheto, entre outras. O dano causado pela lagarta é um dos entraves para a garantia da produtividade nos milharais brasileiros. As lagartas, que no início apenas raspam as folhas, quando desenvolvidas, podem destruir completamente o cartucho, produzindo grande quantidade de excreções nas folhas remanescentes. Essa praga pode reduzir a produtividade em até 34%, somente pelo dano causado nas folhas.
Com o aumento do cultivo do milho “safrinha” e o cultivo do cereal em áreas irrigadas por pivô central, a população da praga tem aumentado consideravelmente e tem-se notado uma mudança no seu comportamento habitual, atacando plantas recém emergidas e provocando sintomas de “coração morto” semelhantes ao da lagarta-elasmo, Elasmopalpus lignosellus, e cortando plantas rente ao solo como a lagarta-rosca, Agrotis ipsylon, fatos observados principalmente em períodos de veranico. Quando a praga ocorre no final do ciclo da cultura, as lagartas podem danificar a espiga, apresentando o mesmo hábito da lagarta-da-espiga, Helicoverpa zea. O problema desta praga no milho tem se agravado ano a ano. Um dos fatores se deve ao fato do milho ser plantado o ano todo no país (Safra/Safrinha/Inverno) além do renascimento da cultura do algodão no cerrado brasileiro onde também é problema sério e o controle é difícil. Assim, basta a praga atravessar pontes biológicas entre os ciclos produtivos para encontrar condições de proliferação. A safrinha e a safra de inverno são mais prejudicadas devido a menor precipitação, quando as plantas são mais sensíveis à desfolha provocada pelas lagartas. Outra grande dificuldade de controle desta praga ocorre pela sua incrível capacidade de adaptação as mais diversas situações de cultivo e diferentes hospedeiros, como os casos de sua mudança de hábito no milho, conforme relatado, quando as lagartas passam a atacar o colmo das plantas rente ao solo ou ataque em espigas. O pior é que quando o produtor percebe que o inseticida utilizado não apresenta bons resultados, muitas vezes ele volta a utilizar o mesmo produto aumentando a dose, o que, além de não resolver o problema, vai onerar o seu custo produtivo e acarretar maior impacto na população de inimigos naturais, no ambiente e na saúde do trabalhador rural. Mas, os problemas não param por aí, o aumento de doses dos inseticidas seguida do uso do mesmo mecanismo de ação dos inseticidas várias vezes durante o ano, leva a seleção de populações da praga resistentes aos inseticidas. Apesar de atualmente S. frugiperda ser quase sempre associada à principal praga do milho no Brasil, o que também acontece na Colômbia, Venezuela, Guatemala, México, Peru e Chile, ela nem sempre é coadjuvante em outras culturas. Apesar do milho ser o hospedeiro preferencial, S. frugiperda tem registro em mais de 100 plantas hospedeirase pode também atacar plantas ornamentais e silvestres. O primeiro grande surto da história ocorreu em 1899, quando uma grande parte dos Estados Unidos foi invadida pela S. frugiperda, causando severos danos em milho, arroz, sorgo, trigo e feijão. Em 1902, no Texas, aproximadamente 40.000 acres de pastagens foram altamente danificados pelo inseto. Nos Estados Unidos, ataques intensos ainda foram verificados em aveia, algodão e pastagens. No Brasil, um surto foi relatado em 1964, com enormes danos em milho, arroz e pastagens. As perdas estimadas em função das infestações de S. frugiperda no Brasil são da ordem de 400 milhões de dólares por ano. O período de suscetibilidade das principais espécies hospedeiras cultivadas no verão, safrinha e inverno, nos diversos agroecossistemas brasileiros, revela a abundância de alimento para a lagarta durante todo o ano. A análise conclui que nas regiões tropicais, onde a temperatura não limita o desenvolvimento do inseto, ocorreu superposição de gerações e o seu crescimento populacional depende da adaptação da lagarta aos diferentes tipos de hospedeiros e da ação de seus agentes de controle, como os inimigos naturais ou o próprio homem. Na safra atual (2009-2010) esta havendo a entrada significativa dos híbridos de milho com tecnologia Bt na agricultura brasileira. Neste novo cenário é certo que S. frugiperda perderá parte da atenção na cultura do milho, a própria praga e entomologistas irão demandar mais energia para outros hospedeiros. Hospedeiros Alternativos Arroz: As barreiras de isolamento entre as linhagens de S. frugiperda são formadas por vários mecanismos. O mais importante deles é a diferença nos horários para acasalamento e postura. A linhagem proveniente do milho realiza a postura nos dois terços iniciais da noite enquanto a linhagem do arroz utiliza o terço final. Há também fatores comportamentais e fisiológicos associados à utilização de um ou outro hospedeiro, permitindo a diferenciação de linhagens baseado nessas características. Pastagem: Sorgo: S. frugiperda é a principal praga do sorgo, e que a quantidade de pesquisas na cultura é bastante reduzida frente a demanda da cultura do milho. O sorgo é mais resistente que o milho a S. frugiperda e de modo geral, os prejuízos são menores que no milho. Algodão Na cultura do algodão as injúrias causadas por S. frugiperda podem ser diagnosticadas desde a emergência até a fase de maturação. As lagartas recém-eclodidas desta praga raspam o parênquima foliar, enquanto as lagartas pequenas e médias, por sua vez, geralmente raspam a epiderme das brácteas dos botões florais, flores e maçãs antes de perfurarem estas estruturas reprodutivas. Milheto: Os sintomas de S. frugiperda em milheto e sorgo, são praticamente os mesmos que ocorrem com a cultura do milho.
Colunista: Prof.Dr. Geraldo Papa 1 - 26/02/2010 ::: Prof.Dr. Geraldo Papa - Hospedeiros Alternativos da lagarta-militar 2 - 02/11/2007 ::: Prof.Dr. Geraldo Papa - Broca da Cana-de-açúcar 3 - 06/09/2007 ::: Prof.Dr. Geraldo Papa - Lagartas na Soja 4 - 03/01/2006 ::: Prof.Dr. Geraldo Papa - Lagarta do Cartucho do Milho: Difícil controle 5 - 06/11/2005 ::: Prof.Dr. Geraldo Papa - Aftosa: Duro golpe no Agronegócio 6 - 16/09/2005 ::: Prof.Dr. Geraldo Papa - Soja: O avanço da Ferrugem Asiática preocupa 7 - 14/07/2005 ::: Prof.Dr. Geraldo Papa - Transgênicos: O que é isso? |
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